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Por que Medicina Regenerativa na Ortopedia?

29.05.2018

 

 

Dr. Carlos Rava

 

As palavres sarar e curar são usadas diariamente no sentido de restabelecimento da saúde. Mas o que significam estas palavras?

 

A palavra curar deriva do latim com sentido de cuidar, zelar. O ato de cuidar do paciente geralmente reverte o estado de doença, dando o significado atual da palavra. 

A palavra sarar deriva do verbo latino sanare, significa ‘ficar são', ‘recuperar a saúde’. 

Ambas as palavras estão relacionadas ao conceito de saúde. 

Durante muito tempo, a saúde foi entendida simplesmente como o estado de ausência de doença. 

Considerada insatisfatória, esta definição de saúde foi substituída por outra, que engloba bem-estar físico, mental e social. 

Diante do exposto, é notório que curar e sarar não significam regredir para o estado anterior à doença, ou seja, curar ou sarar muitas vezes implicam em cicatrizes.

A palavra cicatriz deriva do termo latino cicatrix / cicatricis, e significa marca deixada por um corte ou ferida. 

A cicatrização é o processo pelo qual um tecido cicatriza a si próprio em resposta a doença ou trauma, e requer ação coordenada de células residentes e células atraídas para o sítio lesado. A maioria dos órgãos curam-se ou saram-se desta maneira: um misto de repovoamento por novas células semelhantes às originais, e pelo preenchimento por tecido cicatricial não-funcional. 

O resultado ideal de um tratamento seria a regeneração, palavra derivada do latim que significa produzir de novo, ou seja restabelecer novamente a arquitetura original e função de um tecido ou órgão. Queremos mais células novas semelhantes às originais, e pouco ou nenhum tecido cicatricial não-funcional. 

 

A cicatrização apresenta quatro fases:

 

1 - hemostasia -as plaquetas liberam citocinas e promovem a formação do coágulo através da formação de um malha de fibrina, primeira matriz para migração celular. As citocinas atraem macrófagos, fibroblastos e células endoteliais.

 

2 - inflamação –eliminação de debris ou bactérias por fagocitose. Ocorre ativação do fator complemento com o infiltrado de polimorfonucleares.

 

3 - proliferação -ocorre angiogênese, depósito de colágeno, formação de tecido de granulação, epitelização e contração da do tecido cicatricial.

 

4 - remodelamento -os feixes colágenos aumentam em diâmetro e organizam-se ao longo das linhas de tensão do tecido. 

 

Quando qualquer uma das fases da cicatrização é prejudicada, a cicatrização não ocorre de maneira satisfatória. A maioria das doenças crônicas não progridem além da fase de inflamação ou proliferação, resultando em dor crônica e/ou perda de função. 

 

Os tratamentos oferecidos pela medicina tradicional para as afecções músculoesqueléticas têm pouca ou nenhuma capacidade de estimular a regeneração tecidual. As injeções de corticóide, uso de anti-inflamatórios ou analgésicos são bons exemplos do quão longe estamos da regeneração tecidual. Esta formas de tratamento têm por objetivo o alívio e controle temporário dos sintomas, sem reverter a afecção de saúde. 

A medicina regenerativa é o ramo da medicina que desenvolve métodos para imunomodular, regenerar, reparar ou substituir células, órgãos ou tecidos danificados ou doentes. 

As técnicas aplicadas são capazes de acelerar a cicatrização e, até mesmo, promovê-la, quando as respostas do próprio corpo são insuficientes para restaurar o estado funcional. 

A medicina regenerativa inclui a geração e o uso de células-tronco terapêuticas, a engenharia de tecidos e a produção de órgãos artificiais. 

As terapias biológicas estão emergindo como tratamentos promissores para muitas afecções musculoesqueléticas, agudas ou crônicas, de forma minimamente invasiva. 

Atualmente, 50% da população adulta jovem apresentará uma condição musculoesquelética, e 67 milhões (25% da população adulta) será diagnosticada com alguma forma de osteoartrite por volta de 2030. 

 

Os tratamentos biológicos mais utilizados atualmente de forma primária ou adjuvante aos tratamentos cirúrgicos são: 

 

- o plasma rico em plaquetas (PRP)

 

- o concentrado do aspirado de medula óssea (BMAC) 

 

O plasma rico em plaquetas (PRP)é um volume da fração plasmática do sangue autólogo com concentrações de plaquetas acima da linha de base. Alguns estudos relatam que a concentração de plaquetas deva ser superior a 1 x 106 plaquetas/μl para que haja eficácia reparadora. 

 

Os grânulos alfa das plaquetas são ricos em fatores de crescimento (EGF, PDGF, TGF, VEGF, FGF, IGF, HGF) que desempenham um papel essencial na regulação da resposta inflamatória, da proliferação celular e da diferenciação celular. 

O PRP é utilizado em várias especialidades cirúrgicas para melhorar o cicatrização dos tecidos. Sua fácil obtenção, fácil aplicação, baixo custo, segurança clínica, baixa incidência de efeitos adversos e concentração alta de fatores de crescimento o tornam um produto muito atraente. 

 

O concentrado do aspirado de medula óssea (BMAC) surgiu como uma importante ferramenta biológica para o cirurgião ortopédico. A sua aplicação entrega células progenitoras e fatores de crescimento ao sítio de tratamento. Estas células progenitoras podem regenerar o tecido pela sua própria diferenciação ou através da secreção de citocinas e fatores de crescimento, que modificaram a biologia da lesão favorecendo a cicatrização local. 

Assim como o PRP, o BMAC tem fácil obtenção, fácil aplicação, baixo custo, segurança clínica, baixa incidência de efeitos adversos e concentração alta de fatores de crescimento. 

 

Tanto o PRP quanto o BMAC já contam com estudos clínicos constatando sua eficácia e segurança no tratamento das artroses, da necrose avascular da cabeça femoral, da doença degenerativa discal da coluna, das lesões tendinosas e ligamentares, além de estudos mostrando aceleração da consolidação óssea e melhores resultados no tratamento das pseudoartroses. 

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